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Em 1969, voltou a viajar ao exterior, graças a uma bolsa que ganhou na prestigiosa Berklee School of Music, em Boston, (EUA). Lá ficou cinco anos, durante os quais aprimorou sua técnica e estudou composição e arranjo. Paralelamente, batalhou duramente para ter um lugar ao sol (e, tratando-se dos "States", bota sol nisso), mas conseguiu tocar com grandes nomes do jazz norte-americano e acabou formando sua própria banda, um grupo integrado por brasileiros (entre eles o trompetista Cláudio Roditi) e americanos. De volta ao Brasil, em 1973, já era um músico conhecido, embora mais reconhecido no exterior do que no seu próprio país. E isso lhe doía muito. Victor sempre foi um músico de jazz (talvez o maior do Brasil), mas nunca deixou de expressar, através da linguagem musical do jazz, suas raízes brasileiras e cariocas. Num depoimento à revista Veja em novembro de 1974, revelou que sua maneira de compor "se enraizara naquelas duas influências básicas". Mesmo quando tocava músicas brasileiras (como foi o caso do disco que gravou só com composições de Tom Jobim), Victor usava o léxico musical do jazz. Mas, como músico de jazz, Victor viria a sentir na própria carne as dificuldades dessa condição de instrumentista no Brasil. Sobretudo porque jamais admitiu fazer concessões com sua música. E aí chegamos a outro traço do seu caráter: a honestidade musical. Numa entrevista à Folha de São Paulo em junho de 1977, diria que "é uma barra viver e sobreviver dentro desse esquema a que me propus. É preciso ter peito, garra, passar fome, como eu passei nos Estados Unidos". E prometia - como, de resto, cumpriu - "nunca tocar bolero na Praça Mauá". Seja como for, seu talento de músico de jazz foi-se consolidando com o tempo (é uma pena que esse tempo acabaria sendo demasiado curto para a arte de Victor). Graças à perseverança com que lutou pela sua música, a trajetória de Victor Assis Brasil abriu novos caminhos para a música instrumental no Brasil, e teve uma contribuição extraordinária na divulgação do jazz em nosso país e na formação de novos instrumentistas. Os três últimos anos de vida marcam o ápice de seu prestígio público e também a manifestação mais intensa dos problemas de saúde que o levariam a morte. Destacam-se particularmente suas performances no Festival Internacional de Jazz de São Paulo e no Monterey Jazz Festival, nos quais liderando formações internacionais exibe sua técnica e talento como compositor obtendo sinceros elogios a sua arte. Grava em 1979 seus últimos discos, intitulado Victor Assis Brasil Quinteto e Pedrinho, raros LPs instrumentais da época a contar com grande produção musical, técnica e artística, representando um reconhecimento a sua estatura como um dos grandes nomes do meio naquele momento. Ao morrer precocemente, em 14 de abril 1981, Victor Assis Brasil tinha contribuído para a formação de uma nova geração de instrumentistas brasileiros, entre os quais Mauro Senise, Cláudio Roditi, Márcio Montarroyos, Nivaldo Ornelas e Hélio Delmiro. Tendo morrido aos trinta e cinco anos, em conseqüência de periartite nodosa, uma doença circulatória rara e grave, Victor deixou uma discografia pequena, restrita a oito álbuns que gravou entre 1966 e 1980. Muito pouco para sua força criativa. Pouca gente sabe, por exemplo, que a obra que deixou revela um compositor fecundo. Quando Victor morreu, Dona Elba manteve fechadas duas malas que encontrou no quarto do filho. Em 1988, quando o irmão João Carlos deixou o apartamento da Marquês de Abrantes, Dona Elba entregou-lhe as malas. Um dia, João Carlos resolveu abrí-las e deparou com mais de quatrocentas composições inéditas: peças para piano solo, para orquestra, quarteto de cordas, jazz erudito (uma vertente que começou a explorar, seguindo as pegadas da chamada "Third Stream", uma corrente musical que pretendia unir elementos do jazz e da música clássica). Victor também deixou valioso material de música popular. Fonte: texto de Marcos Borelli para http://assisbrasil.org. site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | It's All Right With Me | | Pedrinho | | Victor Assis Brasil Quarteto | | | Nada Sera Como Antes | | Pedrinho | | Victor Assis Brasil Quarteto | | | Pedrinho | | Pedrinho | | Victor Assis Brasil Quarteto | | | S'wonderful | | Pedrinho | | Victor Assis Brasil Quarteto | | | Penedo | | Pedrinho | | Victor Assis Brasil Quarteto | | | O Cantador | | Pedrinho | | Victor Assis Brasil Quarteto | | | Night And Day | | Pedrinho | | Victor Assis Brasil Quarteto | |
Completando 20 anos na estrada, o Blues Etílicos apresenta a “versão nacional” de um dos mais tradicionais gêneros da música popular norte-americana. Muito antes da tão falada fusão de ritmos, o Blues Etílicos reinventava o blues ao melhor estilo brasileiro. Com dez CDs lançados, é a banda com a maior longevidade e vendagem no segmento no país. Com praticamente a mesma formação deste 1987, à exceção da entrada do baterista Pedro Strasser em 1994 e da passagem do vocalista Vasco Faé entre 2003 e 2005, a banda manteve sua carreira ininterrupta realizando mais de 1.000 apresentações em todo o Brasil e grande parte da América do Sul. Participou de todos os festivais de blues que aconteceram no país, abrindo shows para Buddy Guy, Robert Cray e muitos outros. Foi a banda escolhida por B.B. King para abrir seu show no Rio de Janeiro em 2004. O primeiro show do que seria o Blues Etílicos aconteceu no natal de 1985, e teve como bravos e corajosos músicos Cláudio Bedran, Otávio Rocha e Flávio Guimarães, junto com Paulo Batera na... bateria, e Sérgio na outra guitarra. No ano seguinte o guitarrista Otávio resolveu ir para os EUA de bicicleta, enquanto Flávio e Cláudio continuavam a sua peregrinação pelos bares cariocas, já com o nome Blues Etílicos. É preciso lembrar que naquela época havia a lendária Rádio Fluminense FM, que juntamente com o também lendário Circo Voador criou um elo cultural fortíssimo, que possibilitou o surgimento de diversas bandas.
Assim não havia outro jeito, foi gravada uma fita com a primeira versão de Safra 63, que teve uma ótima aceitaçao na rádio, e assim o nome da banda começou a crescer, e os shows na época contavam com Rodolfo Rebuzi na guitarra,e o suíço Bernard Cristian na bateria. No fim de 86 Otávio volta dos EUA (de avião) e como o lugar de baterista ficou vago por motivo de força maior, pois o suíço teve que voltar repentinamente ao seu país, resolve assumir o posto de baterista, reforçados pelo guitarrista americano Derek Bosshart, um gringo virtuose que veio ao Brasil com sua guitarra e seu amplificador, botou um anúncio no jornal procurando músicos para tocar e assim encontrou os Etílicos. Essa formação durou até a noite em que Derek, num estado etílico bastante avançado, esqueceu sua Fender raríssima dentro de um táxi, entrou em profunda depressão e resolveu viajar de carona pela América do Sul, mas tendo a gentileza de apresentar a banda ao guitarrista e cantor Greg Wilson, que fez a sua estréia no Pappus Bar, um barzinho bem divertido que ficava no bairro do Rio Comprido, no Rio. Nessa época as incríveis performances dos músicos, com destaque para a extinção de uma bateria Ludwig pela incrível técnica do "baterista" Otávio, chamaram a atenção dos proprietários de uma loja de discos raros e importados, a Satisfaction Discos, que resolveram então produzir o primeiro LP da turma, o independente "Blues Etilicos", agora já com um baterista de verdade, Gil Eduardo, filho do tremendão Erasmo Carlos, voltando Otávio para a sua outra paixão, a slide guitar. Graças a este disco, a banda foi fazer dois shows em Santo André, no saudoso bar Jazz and Blues, em 1988, shows estes que foram vistos por uma turma da gravadora Eldorado, que assim contratou a banda. Fonte: http://www.bluesetilicos.com.br site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Safra 63 | | Blues Etilicos | | Blues Etilicos | | | You've Got To Love Ber With a Feeling | | Blues Etilicos | | Blues Etilicos | | | Estudo Em Vermelho | | Blues Etilicos | | Blues Etilicos | | | Back Door Man | | Blues Etilicos | | Blues Etilicos | | | Key To The Bighway | | Blues Etilicos | | Blues Etilicos | | | O Sol Tambem Me Levanta | | Blues Etilicos | | Blues Etilicos | | | Nao E Por Nada Nao | | Blues Etilicos | | Blues Etilicos | | | Back Track | | Blues Etilicos | | Blues Etilicos | | | Auto-suficiencia | | Blues Etilicos | | Blues Etilicos | | | Dust My Broom | | Blues Etilicos | | Blues Etilicos | |
Coisas é o primeiro disco do compositor, arranjador, maestro e instrumentista Moacir Santos, de 1965 – dez faixas intituladas simplesmente Coisas (numeradas de 1 a 10, mas fora de ordem), embora algumas tenham recebido letra e títulos com que circularam fora do disco (Coisa n.º 5, por exemplo, ficou conhecida no mundo profano como "Nanã" e, por muitos anos, rendeu um providencial dinheiro a seu letrista Mario Telles). Coisas só agora volta ao lugar de onde nunca deveria ter ficado ausente: as prateleiras das lojas. E volta com uma força, uma originalidade e uma beleza que, se se disser que foi gravado ontem, ninguém terá razão para duvidar. Mas é claro que ele vem de outros tempos, de outro mundo, outro país – um país também chamado Brasil, mas onde havia uma indústria, dita fonográfica, que estranhamente trabalhava com música. Esses 39 anos de sumiço dizem muito sobre as cabeças que presidem nossas gravadoras. Coisas foi produzido originalmente pela Forma, o pequeno e corajoso selo que o produtor carioca Roberto Quartin conseguiu sustentar durante três anos na década de 60. A Forma era uma espécie de Elenco, só que ainda mais atrevida e experimental. Vencido pelo mercado, Quartin vendeu as matrizes de seu catálogo (18 formidáveis LPs) para a então Philips, que depois se tornou a Polygram e hoje é a Universal. A poderosa compradora contentou-se em ser apenas a dona da Forma: sentou-se em cima, não fez nada com os discos e, até outro dia, não deixou que ninguém fizesse. O próprio Quartin levou as décadas seguintes tentando convencê-la a repor em circulação o catálogo completo, do qual Coisas era a jóia da coroa – sem sucesso. Foi o último e o melhor disco de “samba-jazz” feito no Brasil daquela época: uma obra-prima de música instrumental, com raízes ardentemente brasileiras e uma certa tintura jungle, ellingtoniana, que parece brotar dessas mesmas raízes. Seria fácil dizer que, em tais raízes, está a música ancestral negra. E deve estar mesmo – mas não só: Moacir era e é um músico completo, que se abeberou de toda a tradição clássica européia, apenas fazendo-a curvar-se à sua orgulhosa negritude. (Foi o primeiro maestro negro da Rádio Nacional, furando a hegemonia – benigna – dos mestres Radamés Gnatalli, Leo Peracchi e Lyrio Panicalli.) E Coisas é o epítome da sofisticação e da modernidade que impregnavam alguns criadores daquela fase, empenhados em buscar nos ritmos populares do Nordeste e dos morros do Rio as bases para uma revitalização da música brasileira. Coisa n.º 6, por exemplo, que soa como um baião de quermesse, tornou-se "Dia de Festa" ao ganhar letra de Geraldo Vandré e foi gravado pelo mesmo Vandré. Nas outras faixas, misturados a improvisações jazzísticas, riffs e ataques de big band, há ecos de xaxado, coco e maracutu. Mas, alto lá: com Moacir (assim como em Baden Powell), não tinha essa demagogia de recolher folclore – a música saída “do povo” era apenas uma plataforma para toda espécie de pesquisa melódica, harmônica ou rítmica. A prova está logo de saída, na primeira faixa (Coisa n.º 4), em que o sax-barítono e o trombone-baixo começam uma marcação pesada e repetitiva que se estende por todo o número e, em contexto mais “primitivo”, talvez fosse feita por tambores. Era a África, sem dúvida, mas filtrada pelo Beco das Garrafas, em Copacabana – por mais que isso fosse perigoso politicamente. O texto de capa do LP original, escrito por Quartin e reproduzido no encarte do CD, sentia a necessidade de enfatizar que Moacir Santos não era um músico “de direita” ou “de esquerda”, mas apenas um músico, e a música desconhece a política. Era uma preocupação vigente e, hoje, pode parecer primária ou irrelevante. Mas só quem viveu o clima daquele tempo, com o Brasil ainda no começo da ditadura, consegue avaliar a intensidade da patrulha (exigiam-se "tomadas de posição") e o sentimento de culpa que se apossava dos músicos voltados somente para a arte, estigmatizados por não fazerem de cada acorde um comício.
Pois aconteceu que Moacir Santos, despolitizado como era, também teve de marchar para uma espécie de auto-exílio nos Estados Unidos. Não porque fosse “alienado” ou “participante”, mas pela brusca mudança de rumos na música brasileira a partir do iê-iê-iê, que liquidou com a possibilidade de sobrevivência no Brasil de artistas como ele. A passagem de 1965 para 1966 marcou esse corte – porque, nos três anos anteriores, o próprio Moacir nunca trabalhara tanto e estivera presente, como arranjador ou compositor, em alguns dos melhores discos lançados no país. Apenas em 1963 eram dele os arranjos de Vinicius & Odette Lara, que foi o LP n.º 1 da Elenco; de pelo menos uma faixa (Nanã, em vocalise) de Nara, o disco de estréia de Nara Leão, também na Elenco; de várias faixas de Baden Powell Swings With Jimmy Pratt, idem Elenco, em que Baden toca as Coisas n.º 1 e n.º 2; e de todos os arranjos de Elizete Interpreta Vinicius, lançado pela Copacabana, com quatro de suas canções que levaram letra de Vinicius, entre as quais "Se Você Disser Que Sim" e "Menino Travesso", e com o seu nome em destaque na capa. Em 1964, Moacir assinou arranjos de Você Ainda Não Ouviu Nada – pelo menos, os de Nanã e Coisa n.º 2 –, o disco de Sergio Mendes & Bossa Rio na Philips que muitos, então, consideraram o melhor do gênero feito no Brasil. Mas, no mesmo ano, esse disco seria superado pelo sensacional Edison Machado É Samba Novo, na CBS, com quatro de seus temas (Se Você Disser Que Sim, Coisa n.º 1, Menino Travesso e o já onipresente Nanã) no repertório e Moacir impregnando todo o disco com o som cheio e noturno de seus arranjos, mesmo nos de autoria do saxofonista J.T. Meirelles. O Brasil era tão outro país que permitia que uma cantora quase desconhecida – Luiza, 22 anos, professora do Colégio São Paulo, em Ipanema –, ao estrear em disco na RCA Victor, tivesse o solicitadíssimo Moacir como arranjador. (O LP, Luiza, não aconteceu, e a excelente cantora, pelo visto, encerrou ali a carreira. Mas é outro legítimo Moacir Santos, à espera de que o relancem em CD.) Nos intervalos, Moacir compôs também a música para filmes com que o cinema brasileiro (“novo” ou não) tentava atingir a maioridade: Seara Vermelha, do italiano Alberto D’Aversa (1963), e Ganga Zumba, de Carlos Diegues, Os Fuzis, de Ruy Guerra, e O Beijo, de Flavio Tambellini, todos de 1964, nos quais nasceram várias Coisas. Tudo isto, na verdade, era uma preparação para o Coisas propriamente dito – que, ao ser finalmente lançado, em 1965, logo teria de enfrentar uma atmosfera adversa à sua proposta. A Forma afundou, o disco desapareceu e, pelas quatro décadas seguintes, o LP só reapareceria ocasionalmente nos sebos – até também sumir deles e se tornar uma preciosidade de US$ 200 no mercado internacional. O que aconteceria se a lição de Coisas (e de outros discos de seu estilo) tivesse sido disseminada em 1965? Tudo é especulação, mas é provável que a música instrumental moderna brasileira não conhecesse a penúria que atravessou nas décadas seguintes. O próprio Coisas era uma continuação das experiências nos discos menos dançantes das orquestras de Severino Araújo e Zaccarias, escolados nas gafieiras cariocas dos anos 40 e 50. Deve-se citar também o desaparecimento das orquestras de rádio, TV, boates e as das próprias gravadoras como fator decisivo para o declínio da música instrumental no Brasil – porque foram elas que permitiram a existência de um disco como Coisas. Para Moacir Santos, com 40 anos em 1966, só restava ir embora. E ele foi – para Los Angeles. A volta do disco pode completar a redescoberta brasileira de Moacir, iniciada em 2001 com o lançamento de Ouro Negro pelos mesmos produtores da nova edição de Coisas: Mario Adnet e Zé Nogueira. Ouro Negro era espetacular – mas Coisas é o produto original, com Moacir em pessoa, não apenas de caneta e batuta na mão, mas armado de seu possante sax-barítono. Fonte: Ruy Castro para o Estado de São Paulo, em 27/08/2004. site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Coisa No. 4 | | Coisas | | Moacir Santos | | | Coisa No. 10 | | Coisas | | Moacir Santos | | | Coisa No. 5 | | Coisas | | Moacir Santos | | | Coisa No. 3 | | Coisas | | Moacir Santos | | | Coisa No. 2 | | Coisas | | Moacir Santos | | | Coisa No. 9 | | Coisas | | Moacir Santos | | | Coisa No. 6 | | Coisas | | Moacir Santos | | | Coisa No. 7 | | Coisas | | Moacir Santos | | | Coisa No. 1 | | Coisas | | Moacir Santos | | | Coisa No. 8 | | Coisas | | Moacir Santos | |
Dispensa apresentações e comentários. “Eu vou lhe contar que você não me conhece. Eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve. A sedução me escraviza a você, ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não a mim. E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo maior nos separa. Você não tem um nome, eu tenho. Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções. Mas a mentira da aparência que eu sou e a mentira da aparência que você é, porque eu não sou meu nome e você não é ninguém. O jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação através da aceitação da distância e do reconhecimento dela. Entre eu e você existe a notícia, que nos separa. Eu quero que você me veja a mim. Eu me dispo da notícia. E a minha nudez parada te denuncia e te espelha. Eu me delato, tu me relatas. Eu nos acuso e confesso por nós. Assim me livro das palavras com as quais você me veste." O texto acima, de Fauzi Arap, foi utilizado em um dos melhores trabalhos de Maria Bethânia, trata-se do espetáculo “Pássaro da Manhã”, estreado no Teatro da Praia, no Rio de Janeiro, em 13 de janeiro 1977. O show, dirigido por Fauzi Arapi com cenários de Flávio Império ficou seis meses em cartaz dando origem posteriormente a este LP. Trata-se de um registro de estúdio e não de um disco ao vivo. Com este LP, Maria Bethânia recebeu o segundo disco de ouro da sua carreira. site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Eros e Psique | | Passaro da Manha | | Maria Bethania | | | Tigresa | | Passaro da Manha | | Maria Bethania | | | Um jeito estupido de te amar | | Passaro da Manha | | Maria Bethania | | | Comecaria tudo outra vez | | Passaro da Manha | | Maria Bethania | | | Promessa | | Passaro da Manha | | Maria Bethania | | | Gente | | Passaro da Manha | | Maria Bethania | | | Ha um Deus | | Passaro da Manha | | Maria Bethania | | | Terezinha | | Passaro da Manha | | Maria Bethania | | | Cabocla Jurema/Por causa desta | | Passaro da Manha | | Maria Bethania | | | O que sera (a flor da terra) | | Passaro da Manha | | Maria Bethania | |
Marília Medalha começou a se interessar por música ainda criança, em Niterói, onde nasceu. Já nos anos 60 apresentava-se em boates como a Petit Paris e na faculdade de engenharia, onde conheceu os integrantes do MPB-4. Marília também era vizinha de Sergio Mendes, com quem pegava discos do pianista Bill Evans. "- Ele foi para os Estados Unidos em 1964 e me convidou. Mas, pouco tempo depois, me convidaram para ir a São Paulo participar do espetáculo 'Arena canta Zumbi'. Fiz as malas e fui morar na casa da minha irmã" (a jornalista e escritora Marly Medalha). Eu cai no meio daquelas feras todas e me sentia totalmente à vontade. Até porque nenhuma pessoa ali tinha pose de artista. Aliás, essa é a marca da minha geração: ninguém queria ser artista, todo mundo virou artista." O convívio com o pessoal do Teatro de Arena rendeu-lhe um convite para defender a música "Ponteio", no Festival da Record de 1967. A música (uma parceria de Edu Lobo e Capinam) ganhou e Marília, agora à frente do programa "Ensaio Geral", da TV Excelsior, passou a ser vista na imprensa como uma sombra da já famosa Elis Regina. "Isso era fofoca da imprensa, que queria botar fogo na rivalidade entre o 'Fino da Bossa' (apresentado por Elis), da TV Record, e o nosso programa. Eu tinha um relacionamento cordial com a Elis, fomos amigas. A verdade é que o programa não era páreo para os da TV Record. Paulinho Machado de Carvalho (fundador e dono da emissora) foi o maior produtor de musicais que eu conheci. Dizia: 'Eu não quero saber de cenários. Eles acabam com o artista'. Estava certíssimo. Eu adorava fazer o 'Ensaio Geral'. Todo mundo passou por lá: dos veteranos, como Radamés Gnattali, Jacob do Bandolim, Cartola, aos garotos prodígios - Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sidney Miller, Toquinho, eu... É uma pena que boa parte desse arquivo não exista mais. Aliás, o Brasil só me conhece em preto-e-branco. Nunca mais participei de nenhum programa de televisão."
No ano seguinte, defendendo "Memórias de Marta Saré", composição dos parceiros de Arena Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, acabou ficando em segundo lugar. Só voltaria à cena anos mais tarde, agora como parceira de Vinícius de Moraes, com quem assinaria canções e viajaria por todo o país e pelo exterior, num show memorável ao lado de Toquinho. "Eu fazia um show ('Esses Moços de Letra e Música') na boate Zum-Zum, no Rio, junto com o Tamba Trio e o Edu Lobo. O Edu teve de viajar para a Europa e o Aloysio de Oliveira, produtor do espetáculo, resolveu chamar o Vinicius para substitui-lo. Fomos eu e o Luiz Eça (pianista do Tamba Trio) até a casa dele para convencê-lo. Ele não topou, mas a partir dali começou uma grande amizade. Vinícius era um figura realmente fascinante. Sempre gosto de dizer que fiz pós-graduação em vida com ele. Lembro de um show em Belo Horizonte, em pleno AI-5, que o Vinícius, muito angustiado com as prisões de amigos, bebeu demais antes do espetáculo... Ele, bêbado, entrou no palco atrasado. O teatro lotado, eu e a banda esperando, um clima de expectativa no ar. Ele sentou, acendeu um cigarro, ficou tragando - parecia que estava na sala da casa dele. E o público impaciente, ansioso e ele nada. De repente, o Vinícius grita: 'A tradicional família mineira que vá para a p.q.p!'. O público adorou e ele foi ovacionado até o fim do show. Esse era Vinícius de Moraes." Marilia lançou poucos discos, fez poucos shows, mas nunca perdeu a majestade. É uma artista à moda antiga. Jamais fez o jogo das gravadoras e dos empresários. "Eu nunca quis ser uma estrela da música, levo essa vantagem. Quero é cantar com quem eu gosto, fazer o que eu gosto. Essa é a grande conquista da minha carreira". Bravo! Fonte: http://www.samba-choro.com.br site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Gloria | | Marilia Medalha | | Marilia Medalha | | | Arrependimento | | Marilia Medalha | | Marilia Medalha | | | Jogo de Viola | | Marilia Medalha | | Marilia Medalha | | | Bonina | | Marilia Medalha | | Marilia Medalha | | | Memorias de Marta Sare | | Marilia Medalha | | Marilia Medalha | | | Sao Paulo Meu Amor | | Marilia Medalha | | Marilia Medalha | | | E o Mundo Nao Se Acabou | | Marilia Medalha | | Marilia Medalha | | | Cancao de Marta e Romao | | Marilia Medalha | | Marilia Medalha | | | Velho Tema | | Marilia Medalha | | Marilia Medalha | | | Pressentimento | | Marilia Medalha | | Marilia Medalha | | | Tres Cavaleiros | | Marilia Medalha | | Marilia Medalha | |
Norma Aparecida Almeida Pinto Guimarães D'Áurea Bengell é atriz, cineasta, cantora e compositora com status de estrela desde que estreou nas telas, aos 23 anos, fazendo uma paródia de Brigitte Bardot na chanchada "O homem do Sputnik" (1959), de Carlos Manga. Como cantora, seu primeiro sucesso foi o 78 rpm com "A lua de mel na lua" e "E se tens coração" (da trilha sonora do filme "Mulheres e milhões", de Jorge Ilely). Em 1959, gravou seu primeiro LP, "OOOOOO! Norma", com destaque para a faixa "Feaver". O lançamento do disco, pela gravadora Odeon, foi motivado pela grande sensação causada pela capa de um disco da gravadora, ilustrada por uma fotografia da artista, já conhecida do público como protagonista do filme de Manga, vestindo um maiô. Segundo Ruy Castro, no livro "Chega de Saudade: a história e as histórias da bossa nova" (São Paulo: Companhia das Letras, 1990), "Chico Pereira fotografou-a para a capa de modo que ela parecesse estar nua" (pp.222-224), explorando ao máximo sua sensualidade. Seu LP de estréia contou com um repertório internacional, mais três canções de Tom Jobim e uma de João Gilberto. Seu público era composto na maioria por rapazes que, não podendo freqüentar a noite carioca, podiam se aproximar da musa, em seus shows. Em 1961, em "Os cafajestes", de Ruy Guerra, foi protagonista do primeiro nu frontal da história do cinema brasileiro e foi alvo de críticas violentas dos setores mais conservadores da sociedade brasileira. Carioca de 1935, antes do cinema trabalhou em teatro de revista com Carlos Machado como vedete na boate Nigth and Day, no Rio de Janeiro, e a partir de "O pagador de promessas", de Anselmo Duarte (1962), Palma de Ouro no Festival de Cannes, iniciou carreira internacional, participando de produções italianas e francesas. De volta ao Brasil, atuou em Noite vazia (1964), de Walter Hugo Khoury, Os deuses e os mortos (1970), de Ruy Guerra, A casa assassinada (1970), de Paulo Cezar Saraceni, Mar de rosas (1977), de Ana Carolina, A idade da Terra (1981), de Glauber Rocha, Rio Babilônia (1982), de Neville D'Almeida, e Vagas para moças de fino trato (1993), de Paulo Thiago. Após anos gravando participações em trilhas sonoras e discos de outros artistas, seu segundo LP "Norma canta mulheres", sai apenas em 1977, com composições de Dona Ivone Lara, Luli e Lucina, Marlui Miranda, Dolores Duran, Chiquinha Gonzaga, Rosinha de Valença, Glória Gadelha, Sueli Costa, Rita Lee, Joyce e Maysa, além de "Em nome do amor", parceria de Norma com Glória Gadelha. A partir daí foi dando prioridade cada vez maior à sua carreira de atriz e cineasta, aparecendo esporadicamente como cantora. Hoje, aos 72 anos, Norma Bengell está de volta à TV, ao teatro e envolvida numa tempestade de problemas – alguns inevitáveis, como a recente morte de sua leal amiga e companheira Sonia Nercessian, fotógrafa e produtora, com quem Norma dividiu o mesmo teto ao longo de 25 anos: a amiga morreu após um demorado sofrimento decorrente de câncer. Também estressa Norma Bengell um outro problema, esse sim que poderia ter sido evitado: cada vez mais ela se emaranha na Justiça num processo que a acusa de desviar R$ 15 milhões na captação de recursos para os filmes O guarani e Norma, ainda não filmado. Fonte: http://www.dicionariompb.com.br site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Sucedeu Assim | | Norma Benguell | | Ooooooh! Norma | | | This Can't Be Love | | Norma Benguell | | Ooooooh! Norma | | | Eu Sei Que Vou Te Amar | | Norma Benguell | | Ooooooh! Norma | | | On The Sunny Side Of The Street | | Norma Benguell | | Ooooooh! Norma | | | Eu Preciso de Voce | | Norma Benguell | | Ooooooh! Norma | | | C'est Si Bon | | Norma Benguell | | Ooooooh! Norma | | | Sente | | Norma Benguell | | Ooooooh! Norma | | | Fever | | Norma Benguell | | Ooooooh! Norma | | | Ho-Ba-La-La | | Norma Benguell | | Ooooooh! Norma | | | You Better Go Now | | Norma Benguell | | Ooooooh! Norma | | | That Old Black Magic | | Norma Benguell | | Ooooooh! Norma | | | Drume Negrita | | Norma Benguell | | Ooooooh! Norma | |
Idealizado por Moisés Cardoso Neves, verdadeiro nome de Nilo Amaro, o conjunto formado por negros e composto de um soprano, um mezzo soprano, um contralto, dois baixos, um tenor e três barítonos, teve seu nome inspirado numa árvore da família das ebenáceas que fornece uma madeira escura, pesada e muito resistente, dando origem a expressão “negro como Ébano". Porém o ingrediente negro não estava representado apenas pela raça de seus integrantes e sim pelas características interpretativas de seu canto. Nilo Amaro e seu grupo foram os responsáveis pela introdução e versão brasileira do spirituals canto afro religioso dos negros americanos que daria origem aos blues e ao jazz e também o precursor da música gospel em nosso país. O repertório do grupo também é marcado pela forte presença de clássicos da música popular brasileira abrangendo desde temas folclóricos até sambas, sambas-canções, toadas e outros gêneros. Depois de muitas tentativas de mostrarem sua arte foram incentivados pelo diretor da Odeon, Ismael Corrêa [tinha acabado de assumir uma Odeon repleta de problemas e se via obrigado a investir na carrreira de novos artistas] e gravaram em 9 de junho de 1961 seu primeiro disco 78 rotações com as músicas "A noiva" , de J. Prieto e Fred Jorge e "Greenfields" , de T. Gilkyson, R. Deher, versão de Romeo Nunes, duas canções de sucesso que os projetaram definitivamente. No entanto a consagração viria com o lançamento do LP "Os anjos cantam", gravado em 1962 tendo como carro chefe o baião "Leva eu sodade", de Tião Neto e Alventino Cavalcanti, transformada em toada por Nilo Amaro, destacando-se o solo de Noriel Vilela um dos mais destacados integrantes do conjunto. Na ocasião era comum antes da realização de um LP gravar-se um disco 78 rotações ou compactos como também eram conhecidos para avaliar artistas iniciantes e depois de testado a sua penetração no mercado usar a mesma estratégia para relançar as músicas mais significativas de um LP de sucesso, foi o que ocorreu com "Leva eu sodade" , relançada no formato econômico pela Odeon. O LP dos Cantores de Ébano cujo título passou a ser uma referência para identificá-los fez tanto sucesso que proporcionou a realização de outros excelentes trabalhos transformando o grupo num dos ícones mais marcantes da música popular brasileira dos anos sessenta. A popularidade alcançada está bem demonstrada numa nota do Jornal O Dia, de Porto Alegre, na seção Discomentando de 27 de julho de 1962:
“Surpreendente o sucesso dos Anjos que Cantam – O grande sucesso que vem obtendo os discos de Nilo Amaro e os Cantores de Ébano é surpreendente. Por isto entramos em contato com diversas lojas especializadas em discos para que nos informassem sobre a venda dessas gravações. Na Casa do Rádio estavam esgotados os discos long-plays e somente havia um compacto à venda. Enquanto isto, a firma Studio Artes Reunidas conseguiu vender em apenas um dia 56 compactos. Na Casa Sonora estavam esgotados todos os discos de Nilo Amaro, tendo sido feito de imediato novo pedido a Odeon. Nas outras lojas que visitamos haviam poucos discos. Realmente merecem este êxito, Nilo Amaro e os Cantores de Ébano, os 'anjos que cantam'." Os pesquisadores de nossa música popular não dimensionaram ainda a verdadeira importância que teve Nilo Amaro e seu grupo, talvez, o único em seu tempo que sofrendo influências de conjuntos e cantores americanos como The Platters, Nat King Cole, Ray Charles e outros soube incorporar e reinterpretar o estilo yankee ao mais puro sentimento, lamento e alegria de nossa raiz negra mais profunda. Nilo Amaro faleceu em Goiânia aos 76 anos em 18 de abril de 2004. Fonte: http://www.luizamerico.com.br site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Leva Eu Sodade | | Os Anjos Cantam | | Nilo Amaro e Seus Cantores de Ebano | | | Boa Noite | | Os Anjos Cantam | | Nilo Amaro e Seus Cantores de Ebano | | | Fiz a Cama na Varanda | | Os Anjos Cantam | | Nilo Amaro e Seus Cantores de Ebano | | | Cancao de Ninar Meu Bem | | Os Anjos Cantam | | Nilo Amaro e Seus Cantores de Ebano | | | Down By The Riverside | | Os Anjos Cantam | | Nilo Amaro e Seus Cantores de Ebano | | | Greenfields | | Os Anjos Cantam | | Nilo Amaro e Seus Cantores de Ebano | | | A Lenda do Abaete | | Os Anjos Cantam | | Nilo Amaro e Seus Cantores de Ebano | | | Azulao | | Os Anjos Cantam | | Nilo Amaro e Seus Cantores de Ebano | | | Eu e Voce | | Os Anjos Cantam | | Nilo Amaro e Seus Cantores de Ebano | | | Minha Grauna | | Os Anjos Cantam | | Nilo Amaro e Seus Cantores de Ebano | | | Dorinha | | Os Anjos Cantam | | Nilo Amaro e Seus Cantores de Ebano | | | A Noiva | | Os Anjos Cantam | | Nilo Amaro e Seus Cantores de Ebano | |
Conjunto formado em 1963 pelos irmãos Jane (Jane Vicentina do Espírito Santo), Sidney (Sidney do Espírito Santo) e Roberto (Roberto do Espírito Santo), inicialmente para gravação de jingles. Os Três Morais iniciaram carreira acompanhando o jovem Chico Buarque - Jane Moraes era a moça que cantava em "Com Açúcar, com Afeto" e "Noite dos Mascarados" (Chico Buarque de Hollanda Vol. 2, RGE-1967). Atuou em programas musicais da época, como o show "Bo-64" e "O fino da bossa" (TV Record). Em 1969, participou do IV Festival Internacional da Canção, interpretando "Passo hoje" (Francisco Lessa e José Antonio Castelo).
Lançou três LPs, atuando com essa formação até 1970, quando Jane casou-se com Herondy Bueno e se desligou do trio para formar, com o marido, a dupla Jane e Herondy [aquela do super-hit "Não se vá"]. Foi, então, substituída por Vera Lúcia, do conjunto Alpha Centauri. Com a nova formação, o trio gravou um LP contendo vários sucessos como "As pastorinhas" (João de Barro e Noel Rosa) e "Estrela do mar" (Marino Pinto e Paulo Soledade). Em 1997, o grupo, com sua formação original, apresentou-se no show "Parabéns música popular brasileira", pelo projeto "Clube da bossa", realizado na casa noturna A Baiúca (SP), interpretando obras de Tom Jobim, Milton Nascimento, Egberto Gismonti e Ely Arcoverde, entre outros. Fonte: http://www.dicionariompb.com.br site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Se Quiser Valer | | Os 3 Morais | | Os Tres Morais | | | Odeon | | Os 3 Morais | | Os Tres Morais | | | Tao Preso Pelo Teu Olhar | | Os 3 Morais | | Os Tres Morais | | | Sambachiana | | Os 3 Morais | | Os Tres Morais | | | Desafinado | | Os 3 Morais | | Os Tres Morais | | | Freio Aerodinamico | | Os 3 Morais | | Os Tres Morais | | | Azul Da Cor Do Mar | | Os 3 Morais | | Os Tres Morais | | | Tico-Tico No Fuba | | Os 3 Morais | | Os Tres Morais | | | Violao Vadio | | Os 3 Morais | | Os Tres Morais | | | Bachianinha No. 2 | | Os 3 Morais | | Os Tres Morais | | | Historia De Uma Crianca | | Os 3 Morais | | Os Tres Morais | | | Jequi-bach | | Os 3 Morais | | Os Tres Morais | |
Músico, diretor e roteirista nascido em Lisboa, Abílio chegou ainda criança (7 anos) ao Brasil. Lançou o primeiro LP em 1968 pela Odeon. No mesmo ano concorreu e venceu no Chile o I Festival Latino-Americano da Canção Universitária defendendo a música "Minha rua", de sua autoria. Em 1969 venceu o II Festival Universitário da Música Popular Brasileira, da TV Tupi com a música "Pena verde". Em 1970 participou do Festival Internacional da Canção da TV Globo. No mesmo ano lançou seu segundo LP, que teve por título "Pena verde", da música de maior sucesso de sua carreira. Fez apresentações na TV e shows no México, onde ainda gravou um compacto. Em 1971 e 1972 participou do Festival Internacional da canção. No mesmo período, lançou com sucesso o LP "Tudo azul na América do Sul", parceria com Antônio Carlos Carvalho. Em 1973 organizou o grupo Terra Livre. Em 1977 começou a trabalhar na Rádio Bandeirante de São Paulo. No ano seguinte lançou pela Som Livre o LP "Becos e saídas", com destaque para "Domingo", "Menina da Bahia" e "Peão e viola", todas de sua autoria e "Pobre del cantor", de Pablo Milanés.
Em 1980 compôs a trilha sonora para o filme "Pixote", de Hector Babenco. Dois anos depois lançou o LP "Curso das águas", primeiro pela RCA. Em 1984 passou a apresentar o programa "América do Sol", na Rádio USP na capital paulista. Como produtor foi responsável pelo lançamento da coleção "América do Sol", pelos selos Band e Copacabana. Começou seu interesse por cinema fazendo alguns curtas em super-8, no início dos anos 70, participando de festivais, mas só agora resolveu se dedicar a essa nova faceta, com o advento do cinema digital. Fonte: http://www.dicionariompb.com.br site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Cavaleiro Andante | | Pena Verde | | Abilio Manoel | | | Pena Verde | | Pena Verde | | Abilio Manoel part. Rosa Rebelo | | | No Mundo Da Lua | | Pena Verde | | Abilio Manoel | | | Verdejar | | Pena Verde | | Abilio Manoel | | | Aldeia | | Pena Verde | | Abilio Manoel | | | Cata-Vento | | Pena Verde | | Abilio Manoel | | | Andrea | | Pena Verde | | Abilio Manoel | | | Rosa Cor De Rosa | | Pena Verde | | Abilio Manoel | | | Caminhando Para o Azul | | Pena Verde | | Abilio Manoel | | | Nas Areias Da Lua | | Pena Verde | | Abilio Manoel part. Osinete Marinho | | | Arco-Iris | | Pena Verde | | Abilio Manoel | | | E Adriana Chorava | | Pena Verde | | Abilio Manoel | |
Grupo vocal formado em 1979, tendo como característica principal a estrutura do canto coral. Os integrantes cantavam juntos no coral da Pró Arte, vencedor do festival promovido pelo Jornal do Brasil, em 1976. Dois anos depois, uma ala decidiu deixar o grupo quando o professor que os ensaiava, Jaques Morelenbaum, foi demitido. As sopranos Verônica Sabino, Rosa Lobo e Lidia Sacharny, as contraltos Maúcha Adnet, Paula Martins e Marcia Ruiz, os tenores Dalmo Medeiros, Chico Adnet e Ronald Valle e os baixos Paulinho Malaguti e Paulo Roberto formaram o Desbundetto. O nome criou polêmica, não agradou e o grupo foi rebatizado de Céu da Boca. A dificuldade em conseguir arranjos mais populares para aquele tipo de formação fez com que eles assumissem a tarefa de criá-los. Apresentava-se "a capella" ou acompanhado por instrumentos (piano, violão, baixo e bateria) tocados pelos próprios integrantes do grupo. Os tradicionais uniformes de coral eram substituídos por roupas coloridas e descontraídas. O desempenho, meio teatral, atraía um público jovem como eles.
Com seu primeiro LP, "Céu da Boca", lançado em 1981, ganhou o prêmio de Melhor Grupo Vocal, conferido pela Associação de Críticos de São Paulo. No ano seguinte, lançou o LP "Baratotal". Participou de discos de César Camargo Mariano, Wagner Tiso, Ivan Lins, Elba Ramalho e Nara Leão e, ao lado de outros artistas, dos LPs "O grande circo místico" (1983) e "Turma do Pererê" (1984). Em 1983, foi eleito Melhor Conjunto Vocal do Ano pela Associação dos Críticos de Arte de São Paulo. Atuou no cenário artístico até 1984, tendo realizado, nesse ano, o espetáculo "Praça XI dos bambas", ao lado da cantora Marlene. No show, escrito e dirigido por Ricardo Cravo Albin, cantava e acompanhava a história da MPB das décadas de 20 e 30 do século XX. Com alguns de seus integrantes decididos a seguir carreira solo, como Verônica Sabino e Chico Adnet, o grupo foi se dissolvendo aos poucos, até que Paulo Malaguti colocou o ponto final. site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Uva de Caminhao | | Ceu da Boca | | Ceu da Boca | | | Bumba Meu Boi da Boa Hora | | Ceu da Boca | | Ceu da Boca | | | Luciana | | Ceu da Boca | | Ceu da Boca | | | Melancolia | | Ceu da Boca | | Ceu da Boca | | | Araguaia | | Ceu da Boca | | Ceu da Boca | | | Odeon | | Ceu da Boca | | Ceu da Boca | | | Davilicenca | | Ceu da Boca | | Ceu da Boca | | | Clarissa | | Ceu da Boca | | Ceu da Boca | | | Trindade | | Ceu da Boca | | Ceu da Boca | | | Sabia Coracao de Uma Viola | | Ceu da Boca | | Ceu da Boca | | | Arado | | Ceu da Boca | | Ceu da Boca | | | Injuriado | | Ceu da Boca | | Ceu da Boca | |
Milton Banana (que não era Milton, nem Banana, mas Antonio de Sousa) foi o baterista de todos os momentos decisivos da criação da bossa nova. Quando começou como profissional, aos 20 anos, em 1955, em conjuntos da noite de Copacabana, como o de Waldir Calmon, na boate Arpège, e o do grande Djalma Ferreira, na boate Drink, era como se ainda estivesse esquentando os tambores. Mas, no ano seguinte, tocando na boate Plaza com o trio do pianista Luizinho Eça (no qual o contrabaixista era Ed Lincoln), é que as coisas começaram a acontecer. Por causa de Luizinho, ainda mais jovem do que Milton, a pequena boate do Leme começou a receber, na alta madrugada, uma série de rapazes e moças dispostos a dar canjas. Um deles era o quase desconhecido João Gilberto, de volta ao Rio depois de uma longa temporada fora da cidade, para refazer a cabeça. Ali, tarde da noite, quase que apenas entre amigos, cozinhou-se a "batida diferente" da bateria, a partir da nova batida de violão trazida por João Gilberto. Foi este quem sugeriu a Milton a divisão parecida com a do violão, feita com a baqueta no aro, e insistiu para que ele tocasse baixinho, usando mais as escovinhas. Dito assim, pode soar como se, em última análise, João Gilberto tivesse criado também a batida da bateria - mas o fato de ter encontrado em Banana um ouvinte atento e capaz de reproduzir o que o outro queria não impede que Banana tenha também contribuído com idéias próprias. Efetivamente, era ele o baterista no momento do parto da bossa nova. A prova de que, em janeiro de 1958, ele talvez fosse o único a dominar a batida, está nas faixas "Chega de Saudade" e "Outra Vez", com Elizete Cardoso, para o LP Canção do Amor Demais. Naquela ocasião, o violão de João Gilberto foi gravado pela primeira vez como acompanhante, mas o baterista era Juquinha - e, se o violão de João Gilberto naquelas faixas já era tipicamente bossa nova, a bateria não era. Pode constatar-se isso agora, ao se ouvir o disco relançado em CD pela Movieplay. Mas a bateria de Banana entraria em ação seis meses depois, em julho de 1958, quando João Gilberto o chamou para a gravação do seu próprio 78 RPM de Chega de Saudade na Odeon. Banana estaria nesta faixa e também Desafinado (igualmente gravado como single no fim daquele ano) e nas faixas que completariam o LP Chega de Saudade, gravadas em 1959. A lição básica estava toda ali. Em meados de 1962, com a bossa nova estabelecida e já tendo formado toda uma geração de cantores, arranjadores, violonistas e bateristas, Banana deixara de ser o único. Mas foi ele o convidado por Tom Jobim para formar (com Otavio Bailly ao contrabaixo) o trio que acompanharia o próprio Tom, João Gilberto e Vinicius de Moraes no histórico show "Encontro", na boate Bon Gourmet - a única vez em que os três se apresentaram juntos, por mais de um mês, e em que foram lançadas canções como Garota de Ipanema, Samba do Avião, Só Danço Samba, O Astronauta e Samba da Bênção. Nesta época, a bossa nova já era um fenômeno internacional, mas as tentativas de reproduzi-la no exterior eram canhestras, por causa da bateria. Os gringos estavam produzindo dezenas de discos oportunistas e suas capas podiam dizer "bossa nova", mas o ritmo era o do velho samba, do cha-cha-cha e até do mambo. A verdadeira exportação da bossa nova só começou quando seus criadores passaram a viajar e a mostrar in loco como se fazia. Encerrada a temporada no Bon Gourmet, João Gilberto, Baden Powell, Os Cariocas e Milton Banana fizeram uma semana na boate 686, em Buenos Aires, apinhada toda noite de músicos argentinos (entre os quais, Astor Piazzolla). Em novembro, Banana acompanhou Tom e João Gilberto no famoso concerto do Carnegie Hall, em Nova York. Ficou com eles por lá e foi o baterista do histórico LP Getz/Gilberto, gravado em março de 1963 - e, esta sim foi a maior aula de bateria de bossa nova já dada em todos os tempos, praticamente grátis, para todos os bateristas do mundo. Mas o disco só seria lançado um ano depois e, antes disso, Banana seguiu viagem, com João Gilberto, o pianista João Donato e o contrabaixista Tião Neto, desta vez para a Europa. Tocaram na Itália e na França e expuseram os ouvidos europeus, ao vivo, à nova batida. Nos anos seguintes, de volta ao Rio, Banana poderia ter usufruído o conforto a que os inventores e mestres de seu ofício deveriam ter direito. E, durante algum tempo, isso pareceu possível: de 1965 a 1975, gravou oito deliciosos LPs com seu trio, onde provava que era um baterista para qualquer preço, capaz de fazer até aquela metralhadora mais associada a seu amigo Edison Machado. Mas, então, a música brasileira já seguia outros rumos - todos hostis à bossa nova. Banana lutou enquanto pode e depois se entregou. No começo dos anos 80, teve de resignar-se a tocar para ninguém ouvir, em inferninhos suspeitos de Copacabana.
A década de 80 não foi pródiga de trabalho para bateristas de bossa nova no Brasil e, quando as coisas começaram a melhorar nesta década, já o encontraram com a saúde abalada. E de forma particularmente cruel para um homem da sua profissão: um grave problema circulatório fazia com que, desde pelo menos 1992, ele estivesse ameaçado de ter uma perna amputada. Um show em seu benefício chegou a ser feito no Rio, naquela época. Banana tratou-se e conseguiu adiar a operação. Voltou a trabalhar esporadicamente e ainda cumpriu um fim de semana com um trio no novo Beco das Garrafas, em Copacabana. Mas, em pouco tempo, a cirurgia ficou inevitável. Banana perdeu uma perna em abril de 1999 e, um mês depois, morreu de enfarte. Em seu velório, no Cemitério São João Batista (RJ), chamava a atenção dos amigos presentes uma coroa de flores com os dizeres "A Milton, a quem o Brasil não homenageou nem reconheceu nunca. Ass.: todos os músicos do Brasil", que se soube ter sido enviada por João Gilberto. Fonte: texto de Ruy Castro para o Estado de São Paulo, em 23/05/99. site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Moca / Eu Nasci Ha 10 Mil Anos Atras | | Samba E Isso | | Milton Banana Trio | | | Conte Ate Dez / Bola Pra Frente | | Samba E Isso | | Milton Banana Trio | | | Deus Tem Mais Pra Dar / Na Beira do Mangue | | Samba E Isso | | Milton Banana Trio | | | Te Segura / Se Voce Quiser | | Samba E Isso | | Milton Banana Trio | | | Cresci No Morro / Voce Nao Passa de Uma Mulher | | Samba E Isso | | Milton Banana Trio | | | O Surdo / Nao Deixe o Samba Morrer | | Samba E Isso | | Milton Banana Trio | | | Cavaquinho Camarada / Antes Ele do Que Eu | | Samba E Isso | | Milton Banana Trio | | | Latin Lover / Incompatibilidade de Genios | | Samba E Isso | | Milton Banana Trio | | | Testamento De Partideiro / O Quitandeiro | | Samba E Isso | | Milton Banana Trio | | | O Mar Serenou / Fuzue | | Samba E Isso | | Milton Banana Trio | | | Samba Sem Cuica / Tatu Engenheiro do Metro | | Samba E Isso | | Milton Banana Trio | | | Pot-pourri Selecao Do Morro: Ave Maria do Morro / Eu Nasci no Morro / Lata D'agua / Laurindo / O Morro Nao Tem Vez / A Voz do Morro | | Samba E Isso | | Milton Banana Trio | |
Toquinho canta com uma deslumbrante e visceral Marlene as músicas que escreveu para as peças de Gianfrancesco Guarnieri, em parceria com o autor: "Castro Alves Pede Passagem", "Um Grito Parado No Ar" e "Botequim". As músicas dessas três peças foram condensadas no LP RGE, "Botequim", lançado em 1973. O musical, "Castro Alves Pede Passagem", de 1971, ambienta num programa de televisão passagens significativas da vida do poeta romântico, num bem logrado jogo metalingüístico - se valia do pano de fundo da campanha abolicionista promovida pelo poeta baiano no século XIX para alfinetar a ditadura - que rende a Gianfrancesco os prêmios Associação Paulista de Críticos Teatrais-APCT, e Molière de melhor autor. "Botequim", dirigido por Antônio Pedro, no Rio de Janeiro, e "Um Grito Parado no Ar", com direção de Fernando Peixoto, ambos de 1972, evidenciam a forte censura imperante no auge da ditadura militar, e são classificados por Gianfrancesco como "teatro de ocasião". Em Botequim, os freqüentadores de um bar são impedidos de sair, em função da tempestade que cai lá fora; enquanto que "Um Grito Parado no Ar" é centrado sobre as frustradas tentativas de um grupo teatral de levar a termo sua realização, oferecendo através de metáforas um retrato da situação de isolamento a que foi confinada a sociedade brasileira. O ator Oswaldo Louzada ganhou o Prêmio Molière por seu personagem Carrapato, em "Botequim" e, "Um Grito Parado no Ar" garantiu a Gianfrancesco Guarnieri os prêmios de melhor autor da Associação Paulista dos Críticos de Arte-APCA, o Molière e Governador do Estado. Nas peças e no disco, a questão do ciúme autoral esteve muito presente. Guarnieri, no texto da contracapa do LP, relatava o ciúme que sentira quando Toquinho escreveu em poucos minutos a letra de "Canção do Medo" e mais ainda quando resumira em poucos versos o que Guarnieri não conseguia dizer na canção que encerra o disco: "Bobeou, Não Vai Entender". Na última frase, Toquinho fala da "traição": "Agora eu peço perdão ao Vinicius de Moraes/ Por essa traição com um cara que é demais/ Um bom parceiro, poeta fora de série,/ Um ator tão badalado: Gianfrancesco Guarnieri." Já na peça "Castro Alves Pede Passagem", Toquinho tentou prevenir-se da ciumeira convidando Vinicius para fazer a letra da "Modinha" - que o Poetinha fez à maneira do próprio Castro Alves, com versos como: "Mulher, abre a tua janela/ Aqui vela o teu trovador/ Que em prantos soluça/ Os seus últimos cantos/ Ao nosso amor." A um pedido de Toquinho a Guarnieri, esta música foi escolhida para abrir a peça. Mais tarde, em depoimento a seu irmão, João Carlos Pecci, para o livro Toquinho - 30 Anos de Música (Maltese, 1996), o violonista revelou que a estratégia dera certo: - Guarnieri ficou contente e o pouco ciúme (de Vinicius) que restou se diluiu em algumas doses de uísque... Fonte: http://www.itaucultural.org.br site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Quem Sabe Mais | | Botequim | | Gianfrancesco Guarnieri, Toquinho e Marlene | | | Esperando Por Voce | | Botequim | | Gianfrancesco Guarnieri, Toquinho e Marlene | | | Cancao do Medo | | Botequim | | Gianfrancesco Guarnieri, Toquinho e Marlene | | | Meu Tempo e Castro Alves | | Botequim | | Gianfrancesco Guarnieri, Toquinho e Marlene | | | Sou Assim | | Botequim | | Gianfrancesco Guarnieri, Toquinho e Marlene | | | Um Grito Parado no Ar | | Botequim | | Gianfrancesco Guarnieri, Toquinho e Marlene | | | Quanto Vale Uma Crianca | | Botequim | | Gianfrancesco Guarnieri, Toquinho e Marlene | | | Embolada no Carrapato | | Botequim | | Gianfrancesco Guarnieri, Toquinho e Marlene | | | Mesa de Bar | | Botequim | | Gianfrancesco Guarnieri, Toquinho e Marlene | | | Dane-se | | Botequim | | Gianfrancesco Guarnieri, Toquinho e Marlene | | | Vem Amor, Vem Vinganca | | Botequim | | Gianfrancesco Guarnieri, Toquinho e Marlene | | | Bobeou Nao Vai Entender | | Botequim | | Gianfrancesco Guarnieri, Toquinho e Marlene | |
Ruy Maurity nasceu no dia 12 de dezembro de 1949, em Paraíba do Sul (RJ). Sua mãe foi a primeira violinista a integrar a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, e seu irmão é o pianista Antonio Adolfo. Aprendeu sozinho a tocar violão. Em 1970 venceu o Festival Universitário do Rio de Janeiro com a música "Dia cinco", que compôs junto com Zé Jorge. No mesmo ano, gravou seu primeiro LP, "Este é Rui Maurity". Em 1971 formou o Ruy Maurity Trio, ano em que gravou o seu maior sucesso, “Serafim e seus Filhos”, a música estourou nas rádios, conquistando as pessoas comuns e roqueiros ligados no folk americano. Lançada em compacto, a música também puxou o LP lançado pela Som Livre, em 1972, o mesmo ano de lançamento do disco de estréia do trio Sá, Rodrix & Guarabira. Com a música e o disco, chamado "Em Busca do Ouro", o grupo Ruy Maurity e Trio conquistou o direito de constar entre os fundadores do rock rural no país. Com uma sonoridade mais tradicional, mas com jeitão meio hippie, o grupo foi saudado com entusiasmo pela crítica musical da época. Integravam o grupo Ruy Maurity (viola, violão e vocal), Helvécio (viola, volão e vocal), Daniel (baixo) e ainda Chaplin (percussão). Apesar do sucesso de "Serafim e seus filhos", o grupo teve vida curta, cedendo lugar para a carreira solo de Maurity. Três anos depois Ruy lançou o disco “Safra 74", que teve algumas de suas músicas incluídas nas trilhas sonoras das novelas "Escalada" e "Fogo sobre terra", da TV Globo. Em 76 e 77 lançou, respectivamente, os LPs "Nem ouro nem prata" e "Ganga Brasil", que inclui a gravação do tema principal da novela "Dona Xepa", da TV Globo. Em 1978 gravou o disco "Bananeira mangará”. Com o tempo foi caracterizando cada vez mais a sua carreira com os temas e músicas regionais. Na década de 80 gravou os discos "Natureza" e “Ruy Maurity”. Sua composição "Estradas do interior" foi incluída na trilha sonora da novela "Ana Raio e Zé Trovão" da TV Manchete. Em 1998 lançou pelo selo Artezanal o CD "De coração", no qual interpreta diversas parcerias com José Jorge. Fonte: http://www.kuarup.com.br site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Pelo Teletipo | | Este E Ruy Maurity | | Ruy Maurity | | | A Casa da Santa Branca | | Este E Ruy Maurity | | Ruy Maurity | | | Felicia | | Este E Ruy Maurity | | Ruy Maurity | | | Carrosel | | Este E Ruy Maurity | | Ruy Maurity | | | O Milagre | | Este E Ruy Maurity | | Ruy Maurity | | | O Fruto e o Produto | | Este E Ruy Maurity | | Ruy Maurity | | | Minie | | Este E Ruy Maurity | | Ruy Maurity | | | Movimento Geral | | Este E Ruy Maurity | | Ruy Maurity | | | Luziamor | | Este E Ruy Maurity | | Ruy Maurity | | | A Vida E Essa | | Este E Ruy Maurity | | Ruy Maurity | | | E Tao Facil | | Este E Ruy Maurity | | Ruy Maurity | | | Depois da Festa | | Este E Ruy Maurity | | Ruy Maurity | |
Lançado em 1975, com uma capa criativa e provocativa, "Em Busca do Tempo Perdido" é um dos mais raros e melhores álbuns produzidos na terceira geração do rock brasileiro. O disco, produzido por Guti, traz O Peso em sua formação clássica, com o cantor Luiz Carlos Porto, o guitarrista Gabriel O'Meara, além de Carlinhos Scart (baixo), Constant Papineau (piano), Geraldo Darbilly e depois Carlos Graça (bateria). O álbum traz o hit "Cabeça Feita" (de Guilherme Lamounier/Tibério Gaspar), além de hard rock e belíssimas baladas à la Faces, e um longo blues, com a participação de Zé da Gaita na própria, dedicado "com respeito" a B. B. King. Outro ídolo da banda, que se faz presente com sua influência no disco é o guitarrista Jeff Beck, também citado entre os agradecimentos especiais, ao lado de Erasmo Carlos, com que O'Meara tocou no clássico Projeto Salva-Terra. A história do grupo começou em 1972, quando Luís Carlos e seu parceiro Antônio Fernando foram do Ceará para o Rio para participar do "VII FIC", com a música "O Pente". Após essa participação, a dupla se dissolveu, mas Luís Carlos fez vários contatos com músicos da cidade. Dois anos depois, retornaria ao Rio e formaria o conjunto. O grupo destacava-se pela energia e qualidade técnica, participou dos grandes shows ao vivo da época, inclusive do histórico Hollywood Rock, gravado no campo do Botafogo em janeiro de 1975. Também tocaram com Zé Ramalho, no início da carreira, em shows no Teatro Opinião, no Rio de Janeiro.
No final dos anos 70, o grupo encerrou as atividades, retomando-as em 1984, com a revitalização do rock no Brasil, contando apenas com Luís Carlos da formação original. Nesse período, apresentou-se em shows, nos quais rememorava seu antigo repertório. Desde então não lançou mais discos. Fonte: http://lagrimapsicodelica.blogspot.com site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Sou Louco Por Voce | | Em Busca do Tempo Perdido | | O Peso | | | Nao Fique Triste | | Em Busca do Tempo Perdido | | O Peso | | | Me Chama de Amor | | Em Busca do Tempo Perdido | | O Peso | | | So Agora (Estou Amando) | | Em Busca do Tempo Perdido | | O Peso | | | Eu Nao Sei de Nada | | Em Busca do Tempo Perdido | | O Peso | | | Blues | | Em Busca do Tempo Perdido | | O Peso | | | Lucifer | | Em Busca do Tempo Perdido | | O Peso | | | Boca Loca | | Em Busca do Tempo Perdido | | O Peso | | | Cabeca Feita | | Em Busca do Tempo Perdido | | O Peso | | | Em Busca do Tempo Perdido | | Em Busca do Tempo Perdido | | O Peso | |
Trovador místico, arquiteto criador de bodes, inspirador de Henfil na criação de Francisco Orelhana (o verdadeiro existe e mora lá na Caatinga, às margens do Rio Gavião), e da graúna, Elomar é uma estranha mistura. "Prumodi" compreendê-lo, é preciso viajar 500 e poucos quilômetros, de Salvador até Vitória da Conquista, embrenhar-se com ele numa estradinha de 102 quilômetros, que se percorre de carro, em quatro horas; e, depois andar, mais quilômetro e meio a pé, atravessando na área seca os dois braços do Gavião, vendo os corpos dos cabritinhos mortos ao sol. Tudo isso faz parte do aprendizado. Tudo isso - apenas isso! - explica o homem inquieto, cercado de morte, empenhado em cantar a vida eterna. Chapéu de abas largas, quase sempre com uma capa escura, ralos fios de barba - pele marcada pelo sol da caatinga - Elomar diz que não se sente bem na cidade. Nem mesmo em Vitória da Conquista. Elomar diz que seu lugar é na caatinga. - "A origem de tudo que aprendi está ligada ao campo. Meu embasamento ético, moral e religioso é de lá. Se eu saio e venho para outra estrutura totalmente diferente, que vai ser de mim? A cidade grande não tem nada para me atrair. Nem profissionalmente". Profissionalmente Elomar é arquiteto, formado pela Universidade Federal da Bahia. Homem culto - leitor de clássicos gregos e latinos, conhecedor profundo do ciclo dos poetas e romances de cavalaria - Elomar recria em suas canções toda uma linguagem medieval mas através de um resgate da linguagem perdida - o que se faz com que o entendimento de seus textos exija um glossário interpretativo. Elomar começou a se interessar pelo violão quando estudava arquitetura em Salvador. Conta que foi até a quarta aula. "Depois passei dez anos estudando sozinho, violão clássico através de partituras" diz explicando, assim o seu estilo de violeiro. - "Essa cultura musical, para mim, foi muito boa, me abriu horizontes. Vi que estava bobeando, gastando a vida em vez de estudar a música da caatinga. Em vez de estudar todos os gêneros de cantoria; parcela, chula, tirana, coco dentado, coco inteiro. Vi que dentro da caatinga estão estratificados restos da cultura e do som medieval". Este é o primeiro disco independente de Elomar, e para muitos seu melhor trabalho. Gravado em 1979 na Bahia e lançado em São Paulo com apoio de Marcus Pereira. Além de trechos do Auto da Catingueira e de O Tropeiro Gonsalin, canções clássicas como "Campo Branco", "Curvas do Rio", "Arrumação" e "A Meus Deus um Canto Novo". São 74 minutos de música, com participações especiais de Xangai e Dércio Marques.
A Associação Paulista de Críticos de Arte considerou "Na Quadrada das Águas Perdidas" como o melhor disco de 1979, a surpresa foi grande: afinal, quem era Elomar, o solitário compositor - intérprete das canções rudes, de letras estranhas, exigindo a atenta leitura do texto acompanhando o álbum para conseguir entender as palavras - muitas das quais necessitando de um dicionário para a devida interpretação? Não é fácil penetrar no mundo de Elomar. Suas músicas jamais tocarão nas FMs do comercialismo, seus shows são raros e seus discos difíceis de serem encontrados. Não há concessão ao marketing. Entretanto, quem conseguir penetrar em seu mundo de cavaleiros, donzelas, lutas e conquistas estará descobrindo um belo e lindo universo - bebendo na fonte o som cristalino, puro, de um dos maiores - e menos famosos - talentos deste Brasil. Fonte: Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em o Estado do Paraná, 23/03/1986. Alas qui foi um truvejo. In certa altura da labuta já quaji disurino, tarei o tempo, me apeguei cum Deus e cum o dijitoro dum bando de malungo, muntemo o mondengo, fumo consiguino e já cum água na capa da cela cheguemo lá. Nestes termos Zé de Mandú, Zé Krau ou Quilimero resumiriam o falatório, que se segue. Vendo os janeiros entrando, as canções chegando e sumindo, e o encordoamento da goela cansando, me aviei em fazer logo um disco ou dois ou mais. E como fazer isto? Fizeram as gravadoras lá pelas bandas do Sul, muito longe da catinga; cidade grande barulhenta, apertucho, muito regulamento, elevador, documentos na capanga, comida ruim... Não vou não. Resolvo, vou. E os quadros, manchetes, os cotidianos registrados pela imprensa? Vou ou não, me difini. Arranjo um “nagra” e vou gravar isto é lá em casa no Rio do Gavião junto dos bodes no meio do chiqueiro. Não precisa estúdio; conversa de vaqueiro, cantiga de grilo, budêjo de pai-de-chiqueiro, se entrar na fita fica, faz parte. E mais cadê o nagra? Nessa enrola um ano se foi. Daí é que dando um pulo a Salvador para u’a cantoria ligeira de fim de ano, e sem que eu desse por fé, Carlos Pita, Alcivando, João Américo, Dércio Marques, Xangai, Fábio, Limongi, Gildásio e Vicente (um bando) já tinham armado a arapuca. Foi só puxar o cipó e de repente me vi enredado na trama de fios do estúdio do Seminário de Música da Universidade da Bahia, o que nos foi concedido com empenho e gentileza pelo seu diretor, o Prof. Ernest Widmer, ao qual nesta oportunidade faço meus agradecimentos. Foram longas horas de estúdio; trabalho pesado, esgotante, e o pior, o que dá raiva, são as tais fitas em rôlo, é um rôlo, é um rôlo! Quando a gente pensa que “matou” 4 ou 5 canções, Alcivando e João, bradam: grava tudo de novo (um tal de dacapo). Que foi lá? - Fitas defeituosas, defeito de fabricação, isto é demais, custou muito, não vou gravar essa mundiça mais não! Grava, não grava, enfim ficaram prontos os rolos. Rôlo brabo foi entrar num avião, cortar o céu e descer naquela galáxia em vias de explosão (S. Paulo). Virgilino! Ali com o apoio do Sr. Marcos Pereira, consegui contratar a prensagem na fábrica de discos Copacabana. Por 8 dias no S. Paulo andei naqueles subterrâneos, gargantas e desfiladeiros de paredes verticais. Um mundo perdido, carcumido por ventos maleitosos, mortiferas fumaças, “estrôncios letais”, milhões de seres pálidos macróbios, uma guerra telúrica. Geraldo, um amigo catingueiro que, ora sujegado naquele habitat e já portanto afeito ao elemento envenenado. foi meu guia enquanto eu errava, me lembrando do Rei Davi, na imensidão daqueles vales onde por vezes eu vi passar de largo a sombra da morte. E parados na sala grande do museu, eu vi também os Retirantes de Portinari. No meio d’ua travessia, boquinha-de-noite, sinaleira fechada, uma aflição imensa com medo de não dar tempo; de salto armado e olhos semiserrados, a grande alcatéia de monstros prestes a desfechar o salto e esfarelar a gente. No meio da tribulação, me lembrei de Remundo, no esfregar dos olhos vi no fim do mundo, no êrmo as ruas desoladas, e dos casarões entravam e saiam ratos, cobras, morcegos e corujões... como disseram os profetas hebraicos. Daí, veio o rôlo derradeiro, foi um tumba, a capa dos discos. Foi com menos sofrimento, já estava na Bahia. Com um grande lãin na pesada, a Planus Propaganda meou e finalizou a arte. Um bando de malungo realmente, mil vaquêro internado nos serrados de jurema campiano trem alevantado. Nunca pretendi fazer disco adereçado de altos requintes técnicos, tão somente a pura e simples documentação de meu trabalho, sem que turbe o espírito das coisas e do lugar donde ele saiu. Este disco foi feito a facão, no nordeste, com o dijitoro de muitos amigos, o sacrificio meu e de minha mulher, e sobre todas as coisas, com o consentimento de Deus. Estes cantares e estes falares são lembranças que a catinga agradecida manda para o amigo Henfil. Fonte: Elomar em texto do encarte. site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | A Meu Deus Um Canto Novo | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | A Pergunta | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Arrumacao | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Deseranca | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Chula no Terreiro | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Campo Branco | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Parcelada [do Auto da Catingueira] | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Estrela Maga dos Ciganos | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Funcao | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Noite de Santo Reis | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Cantoria Pastoral | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | O Rapto de Joana do Tarugo | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Canto de Guerreiro Mongoio | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Clario [do Auto da Catingueira] | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Bespa [do Auto da Catingueira] | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Dassanta [do Auto da Catingueira] | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Curvas do Rio | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Tirana [de O Tropeiro Gonsalin] | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | | | Puluxias [de O Tropeiro Gonsalin] | | Na Quadrada das Aguas Perdidas | | Elomar | |
Grandes intérpretes do chorinho estão presentes neste disco, uma coletânea de algumas das melhores obras do gênero. "Brasileirinho", "Lamento", "Chorinho Antigo" e "Atrevido" são faixas do LP "Os grandes Sucessos de Waldir Azevedo", gravado em julho de 1968. O cavaquinho de Waldir Azevedo nessas músicas mostra em sua melhor forma, o virtuosismo do músico que incluiu o solo (antes funcionava apenas como acompanhante) nesse gênero de música. "Chorando Baixinho" é o título do LP de Abel Ferreira [Chorando Baixinho, novembro de 1962] de onde foram extraídos "Saxofone, Porque Choras?", "Doce Mentira" e "Chorando Baixinho". Abel é considerado o maior clarinetista brasileiro vivo [faleceu em 13/4/1980], dono de um estilo todo característico e inconfundível. Os Chorões (integrado por Radamés Gnattalli, Abel Ferreira, Zé Bodega, Netinho, Altamiro Carrilho, Raul de Barros, Porfírio, José Menezes, Juquinha, Tião Marinho, Luna e Marçal, sob a regência do Maestro Nelsinho) foi um grupo criado no estúdio da Odeon no final de 1970. As músicas que aqui aparecem - "Pé na Tábua" e "Bentevi Atrevido" - foram extraídas do LP "Chorinhos da Pesada", um registro histórico de alguns dos maiores instrumentistas do chorinho. Déo Rian, segundo os críticos "o sucessor direto de Jacob do Bandolim", revive dois de seus maiores sucessos - "Noites Cariocas" e "Mistura e Manda" - acompanhado por verdadeiros cobras como Canhoto, Dino e Meira, faixas do seu primeiro LP [Choros de Sempre], gravado em 1974. Surge, finalmente, o músico compositor que fez reviver o chorinho e torná-lo novamente conhecido do grande público nos anos 70, Paulinho da Viola, presente em "Cinco Companheiros", "Segura Ele" e "Beliscando". Como nos velhos tempos apresentamos toda esta gente do chôro (com acento e tudo) e esperamos que você goste deles como nós gostamos. Fonte: Texto da contra-capa. site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Brasileirinho | | Gente do Choro | | Waldir Azevedo | | | Cinco Companheiros | | Gente do Choro | | Paulinho da Viola | | | Mistura e Manda | | Gente do Choro | | Deo Rian | | | Saxofone Porque Choras | | Gente do Choro | | Abel Ferreira | | | Segura Ele | | Gente do Choro | | Paulinho da Viola | | | Doce Mentira | | Gente do Choro | | Abel Ferreira | | | Pe na Tabua | | Gente do Choro | | Os Choroes | | | Noites Cariocas | | Gente do Choro | | Deo Rian | | | Chorinho Antigo | | Gente do Choro | | Waldir Azevedo | | | Chorando Baixinho | | Gente do Choro | | Abel Ferreira | | | Beliscando | | Gente do Choro | | Paulinho da Viola | | | Atrevido | | Gente do Choro | | Waldir Azevedo | | | Lamento | | Gente do Choro | | Waldir Azevedo | | | Bentevi Atrevido | | Gente do Choro | | Os Choroes | |
Os verdadeiros precussores do samba-jazz. Lançados pela "Hi-Fi Musidisc" do saudoso Nilo Sérgio, a Turma da Gafieira, grupo de vida breve, apenas dois discos em 1957 e uma coletânia em 1962, reuniu músicos como Baden Powell, Raul de Souza, Altamiro Carrilho, Cipó, Zé Bodega, Jorge Marinho, Sivuca e Edison Machado. No primeiro disco da Turma (Turma da Gafieira-1957) além da primeira gravação de Raul de Souza, temos o "atestado de batismo" do "Samba no Prato", criação do saudoso Edson Machado, trazendo para o samba o que Kenny Clarke inovou no bebop, ou seja, a marcação do ritmo passou a ser feita no "top cymbal" e as acentuações nos tambores. Neste LP Baden Powell faz seu debut. site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Vai Com Jeito | | Samba em HI-FI | | Turma da Gafieira | | | Nao Diga Nao | | Samba em HI-FI | | Turma da Gafieira | | | Jarro da Saudade | | Samba em HI-FI | | Turma da Gafieira | | | Marancangalha | | Samba em HI-FI | | Turma da Gafieira | | | Por Hoje E So | | Samba em HI-FI | | Turma da Gafieira | | | Vagabundo | | Samba em HI-FI | | Turma da Gafieira | | | Saudades da Bahia | | Samba em HI-FI | | Turma da Gafieira | | | Conceicao | | Samba em HI-FI | | Turma da Gafieira | | | Tumba-le-le | | Samba em HI-FI | | Turma da Gafieira | | | Rosa Morena | | Samba em HI-FI | | Turma da Gafieira | | | Foi a Noite | | Samba em HI-FI | | Turma da Gafieira | | | Intencao (Onde Esta Voce) | | Samba em HI-FI | | Turma da Gafieira | |
Luís Otávio de Melo Carvalho para os muito íntimos, Tavito para todos, músico, compositor, arranjador, produtor de discos e publicitário, nascido e criado na gema de Belo Horizonte, fruto de amores, amigos e canções de Minas, ganhou seu primeiro violão - um Tranquilo Giannini cheio de madrepérolas – de seu pai aos treze anos de idade. O médico Sílvio de Melo Carvalho, casado com Maria Inês e pai de três filhos mineiros como ele (Antônio Cândido, o do meio, se tornaria médico como o pai; e Maria Angélica, a mais velha, se formaria em filosofia pura para ser uma alta funcionária pública) não via com bons olhos o envolvimento de seu caçula na vida musical. Preferia, como se pode notar, futuros menos incertos. Mas, como se sabe, esses chamados se manifestam de forma peremptória e não passível de retruques teóricos. E o jovem Tavito se firmou em suas opções e criou raízes em seu instrumento, deixando para trás todas a tradições da mineiríssima família que o gerara. Já aos 14 anos fazia seus arranjos vocais para um quarteto, formado por seu irmão, o Cancando, Eloy Ballesteros, José Alberto Nemer e o próprio Tavito. Fizeram inúmeros shows em Belo Horizonte - e chegaram a ganhar um festival local de certa importância, cujo prêmio incluía apresentações nos programas televisivos "Rio Hit Parade", na TV Rio, e no "Programa Flávio Cavalcanti", na Tupi. Mas a vida de Tavito iria mudar de verdade com um fato novo e inusitado, um verdadeiro capricho do destino. Tavito conheceu Vinícius de Moraes na casa de um amigo de adolescência, João Heraldo Lima. O poeta se encantou imediatamente com seu violão, cujo virtuosismo fora conseguido à custa de meses a fio tirando, de ouvido, as execuções do grande Baden Powell – o "guitar-hero" da época – no generoso universo bossanovista que se espraiava nesses anos verdes da década de 60. Tendo como carros-chefe todos aqueles afro-sambas com a griffe Baden-Vinícius, de "Berimbau" a "Canto de Ossanha", Vinícius se utilizou largamente do talento de Tavito, pois que Baden era um tanto inconstante em seus compromissos com shows fora do eixo Rio–São Paulo. Isso deu a Tavito a sua primeira grande oportunidade funcional – a de acompanhar o extraordinário poeta em alguns shows em Belo Horizonte, antes de se profissionalizar definitivamente. Em 1968, deixou a Faculdade de Desenho Industrial (que cursava a duras penas) e mudou-se para o Rio de Janeiro, com os sonhos na mala e violão debaixo do braço, seguindo as águas poéticas do amigo famoso. Já em sua nova cidade, garimpou alunos de violão para sobreviver – e, paralelamente, compunha canções que inscrevia em festivais, a coqueluche da época. Em 1969, participou do Festival Universitário da TV Tupi com a música "Terçafeira", composta em parceria com Werther Jacques e Antônio Gil e defendida pelos "3 Morais", notável trio vocal egresso do Conjunto Farroupilha. Apesar de não classificada, foi a primeira canção gravada e divulgada na história de Tavito. Era o tempo dos novos ídolos, Milton Nascimento, Gonzaguinha, Ivan Lins e seu grupo MAU, Guarabyra e seu Manifesto, Antônio Adolfo, Tibério Gaspar e incontáveis seguidores e agregados. Tavito já conhecia Milton Nascimento, o Bituca, desde a adolescência em Belo Horizonte. Formou então, a pedido do empresário José Mynssen, o grupo "Som Imaginário", juntamente com Zé Rodrix, Wagner Tiso, Robertinho Silva, Luiz Alves, Laudir de Oliveira (logo substituído pelo genial Naná Vasconcellos) e Frederyko. Essa moçada foi convocada para acompanhar um noviço Mílton Nascimento em um show histórico na arena do Teatro Opinião – "Milton Nascimento ah!... e o Som Imaginário" – show que gerou o notável LP que é considerado o marco zero da fase pop do cantor. Nesse ano, o grupo ganharia o prêmio revelação do Festival Internacional da Canção, defendendo a música "Feira Moderna" de Beto Guedes e Fernando Brant. O Som Imaginário era o que havia de mais vanguardista na época – e ainda gravaria um segundo álbum com Bituca, o "Clube da Esquina", disco duplo com as participações extraordinárias dos integrantes de um nascente Clube de Esquina, cheio de bons mineiros e sonhos por toda parte. O Som Imaginário gravou três LPs próprios, "Som Imaginário", "Som Imaginário 2" e "A Matança do Porco", tendo Tavito como um de seus principais compositores. Em 1971, Tavito compôs com Zé Rodrix a canção "Casa no Campo", imortalizada na voz de Elis Regina e considerada até hoje como um hino da geração adepta de "Paz e Amor" – binômio amplamente alardeado pelo comportamento controverso e anti-stablishment praticado pelos moços e moças da época. Essa canção foi lançada no Festival de Juiz de Fora – interpretada pelo parceiro Zé Rodrix – faturando o prêmio máximo, que incluía a classificação automática para o Festival Internacional da Canção da TV Globo. Foi nesse evento que Elis conheceu a música e se interessou em gravá-la.
Tavito e sua viola de 12 cordas acompanharam temporadas inteiras de vários grandes artistas, de Gal Costa a Sérgio Ricardo, de Dori Caymmi a Alaíde Costa, sem contar Milton, com quem tocou durante quatro anos. Gravou com todos os principais cantores e cantoras da MPB, sempre contribuindo com seu toque pessoal e inconfundível. Foi quando o namoro com a jovem Ana Cristina Fleury amadureceu a ponto de Tavito se sentir tentado a seguir suas tradições mineiras e casar-se de verdade, na igreja, com guirlandas de flores, padrinhos e alianças de ouro verdadeiro. Ora, para isso era necessário que houvesse um salário em sua vida, os ganhos com gravações e shows eram fartos, mas incertos. E Tavito aceitou o convite de seu amigo Sérgio Werneck (o Sérgio Mineiro) de empregar-se na produtora paulista Prova Filmes, do famoso José Scatena, para compor jingles e trilhas para o rádio e a televisão. Nunca tinha composto um jingle na vida, mas... isso se aprende, certamente. E no mês de julho do ano de 1972, Tavito mudou-se para São Paulo e abraçou uma atividade que manteve durante toda a vida – a de criador e produtor de fonogramas publicitários. Essa época assinala também sua primeira produção de um disco – o de seu amigo Zé Rodrix, "Segundo Acto", no qual também dividiu as composições e os arranjos orquestrais pela primeira vez. Zé Rodrix o seguiria em sua migração para São Paulo, seguido depois por Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, os famosos Sá, Rodrix e Guarabyra, que tanto sucesso fizeram e fazem ainda hoje. Todos esses amigos (e muitos outros, como Renato Teixeira, Hareton Salvannini e Walter Santos) tornaram a publicidade sua atividade principal, e são criadores de inúmeros sucessos de público e vendas. Fizeram dessa profissão, antes considerada como arte menor, uma opção digna de sobrevivência, dentro do árido mercado musical brasileiro. Ao final de 1974, Tavito voltou ao Rio por motivos familiares e empregou-se, já experiente, em uma produtora de áudio muito famosa (por ter pertencido aos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle e a Nélson Motta): a Aquarius. Ao fim de poucos meses, desgostoso com os rumos da empresa, saiu e montou sua própria produtora, em sociedade com Márcio Moura e Paulo Sérgio Valle, a lendária Zurana. A Zurana Criação e Produção criou um novo conceito em produção de áudio. Os sócios contrataram grandes compositores, músicos e letristas para seu quadro de colaboradores. Ivan Lins, Djavan, Mariozinho Rocha, Renato Corrêa, Ruy Maurity, Zé Jorge, Ronaldo Monteiro de Souza, Eduardo Souto Neto e muitos mais passaram e deixaram sua marca inconfundível nas trilhas e jingles produzidos pela Zurana. Sua segunda produção em disco foi feita nessa ocasião. Realizou para a Odeon o LP "Marcos Valle", um lindo disco de belíssimo repertório, que incluía "Remédio pro Coração" e "Meu Herói". Esse LP foi considerado pela direção da gravadora o mais bem produzido técnicamente na casa até então. Tavito cantava muitos jingles na Zurana, tocava sua viola de 12 cordas como nunca, compunha fluentemente canções com diversas parcerias, gravava diariamente, até 14 horas por dia – e isso lhe conferia uma experiência sólida e o levava cada vez mais para perto de suas raízes artísticas. Foi notado pelo produtor e amigo Fernando Adour, que o convidou a gravar seu primeiro discosolo pela extinta CBS, hoje Sony Music. Tavito aceitou de pronto e traçou novos horizontes para sua vida. Recém divorciado, abraçou com todas as energias o novo projeto, sem medir esforços. Foi quando compôs, com o amigo e publicitário Ney Azambuja, o sucesso "Rua Ramalhete". A Rua Ramalhete era uma ruazinha de Belo Horizonte composta de um quarteirão só. Começava na Rua do Ouro, no alto da Serra, bairro de classe média onde a família de Tavito residia – e terminava num córrego cristalino que corria onde hoje é a extensão da Rua Estêvão Pinto. Havia o costume entre a meninada que estudava no Colégio Estadual (Sucursal Serra), de se sair das aulas à tardinha e varejar pela Rua Ramalhete. Explica-se; a rua era povoada por moças, lindas todas, naquela idade em que se adolesce – e o coração dos moços adoece. Não havia trânsito de automóveis na Rua Ramalhete. Aos domingos, as meninas estendiam a rede de vôlei de lado a lado, jogava-se o dia inteiro, e os carros que se danassem. As noites sempre eram sonorizadas por rodas de violão entremeadas de castos namoricos furtivos. Aos sábados, festinhas onde se dançava coladinho ao som da boa música da época, Beatles e bossa-nova, Luiz Eça e Herman's Hermits. Isso tudo ficava a poucos quarteirões do vetusto Colégio Sacré Coeur de Marie, severo que só, com suas freiras de cenho franzido e hábitos negros como a noite negra. Esse colégio despejava na rua, duas vezes por dia, magotes de moças ensolaradas e sonhadoras, com suas saias de madras enroladas na cintura para que os moços pudessem ver seu joelhos (quem sabe a primeira sugestão das coxas), tudo dentro dos limites do combinado como "linha da decência". Esse trajeto Sacré Coeur / Rua Ramalhete constituía o dia-a-dia de Tavito e sua turminha de garotos normais, na fase mais doce da vida, tão doce que às vezes não nos apercebemos dela – a não ser anos mais tarde. Nesse território, Tavito e seu violão eram absolutos. O primeiro disco de Tavito mostrou um artista moderno e maduro, sem ranços e com muito estilo. Vendeu razoavelmente para a época, pois "Rua Ramalhete" entrou na trilha sonora de uma das novelas da TV Globo, "As três Marias". Trazia também sucessos de outros autores, como "Naquele tempo", de Mariozinho Rocha e Renato Corrêa e "Cowboy", de Eduardo Souto Neto e Paulo Sérgio Valle, canções compostas especialmente para a personalidade do artista. Era um disco feito por amigos e para amigos. Fonte: http://www.tavito.com.br site oficial | ficha técnica | dicionário mpb | clique music | Cowboy | | Tavito | | Tavito | | | Rua Ramalhete | | Tavito | | Tavito | | | Voce Me Acende (You Turn Me On) | | Tavito | | Tavito | | | Longe do Medo | | Tavito | | Tavito | | | Cravo e Canela | | Tavito | | Tavito | | | Naquele Tempo | | Tavito | | Tavito | | | Comeco, Meio e Fim | | Tavito | | Tavito | | | A Ilha | | Tavito | | Tavito | | | Coracao Remocado | | Tavito | | Tavito | | | Casa no Campo | | Tavito | | Tavito | |
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Obrigada por compartilhar tanta música de qualidade! |
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Um grande abraço,
Jorge Luiz |
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Arrependa-te, pois é chegado a vós o Reino dos Céus!Convertat-te, pois dos teus maus caminhos e das tuas más obras, dê ouvidos à Palavra de Deus e aceite a Jesus com seu Único e sufiente salvador, fuja do inferno e entre no Céu, Jesus é o Caminho a Verdade e a Vida, e Deus amou o mundo de tal maneira de deu o Filho unigênito para que todo aquele que Nele crê não pereça mas tenha vida eterna! Converta-te aos caminhos de Deus, entre pela porta estreita e apertada chamada evangelho!agora.em nome de Jesus! Visite perto de tua casa uma igreja Assembléia de Deus, Deus é Amor ou Metodista Wesleyana com a Bíblia, e aceite a JESUS HOJE! para a tua salvação gratuita! Jesus te ama! |
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